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A arte da comunicação na liderança: Assertividade

Rafaela Campos
Escrito por Rafaela Campos em 4 de julho de 2020
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Não é raro observar problemas nos negócios causados por falta de comunicação ou comunicação inadequada, sem falar dos problemas a longo prazo que não aparecem de imediato. E, sendo a liderança uma função diretamente conectada à pessoas, a importância de uma comunicação assertiva é essencial e deslizes neste item podem ser catastróficos.

Por isto e para que você possa ser um empreendedor ainda melhor, preparei este artigo sobre comunicação, assertividade e também sobre algumas técnicas poderosas e simples de serem aplicadas para que você possa começar a ter resultados já.

Um pouco sobre comunicação

Por definição do dicionário, comunicação pode ser definida tanto pela ação de transmissão de uma mensagem e de recebimento de uma resposta quanto pelo conteúdo da mensagem transmitida. Ou seja, envolve todo o contexto e o conteúdo não se limitando inclusive à um determinado meio como, por exemplo, através da fala.

Aliás, a maior parte de uma comunicação ocorre por meios não-verbais como tom de voz, expressões faciais, postura, gestos, velocidade da fala e outras expressões corporais e por isto ao se comunicar com alguém é importante estar atento tanto às mensagens que estão sendo recebidas por estes meios quanto principalmente às que estão sendo enviadas. Afinal, um feedback com um dedo em riste e um tom de voz ríspido com certeza gerará efeitos completamente diferentes do mesmo feedback com uma postura cordial e um tom de voz amigo.

Somos seres altamente perceptivos e sensíveis às mensagens recebidas, mesmo que não tenhamos consciência ou sequer percebamos racionalmente tais mensagens, e essa falta de consciência não elimina nossas respostas automáticas. Pelo contrário, a falta de consciência nos faz reféns dos nossos próprios comportamentos automáticos e nos impede de entregar ou receber as reais mensagens que estão sendo trocadas.

Você pode estar se perguntando: “E o que seriam as reais mensagens?”, e eu te respondo, é aquilo que normalmente não é dito porque envolve emoções e normalmente a maioria das pessoas tendem a proteger suas emoções e não deixá-las transparecer para evitar serem vistos de forma que não desejariam, especialmente em um ambiente profissional onde a avaliação externa é normalmente frequente e a confiança entre as pessoas é baixa.

Porém, para que uma comunicação seja eficaz é importante tanto enviar mensagens reais quanto responder às reais mensagens dos demais, lembrando sempre da empatia, da educação e de que o que as pessoas falam dizem mais a respeito delas do que de você ou de qualquer situação. Mas, isto é tema para outra conversa… Para este artigo, isto é o suficiente.

Assertividade

Assertividade na comunicação é a capacidade de transmitir a mensagem que se deseja sem ser passivo ou agressivo. Ou seja, envolve assumir a responsabilidade tanto pela comunicação quanto pela própria vida, deixando de ter uma postura de vítima e se assumindo como protagonista das próprias escolhas, seja de forma consciente ou não, mas dissipando desta forma sentimentos negativos como raiva, rancor, ira, tristeza ou medo em relação aos outros e permitindo se concentrar na mensagem a ser transmitida.

Para melhorar a assertividade, o autoconhecimento é fundamental, pois só através dele serão percebidas as próprias condutas passivas ou agressivas que interferem na comunicação com os demais. Para saber como se conhecer melhor, fiz um artigo falando sobre o tema que você pode acessar clicando AQUI.

Para esclarecer, vamos falar um pouco sobre comunicação passiva ou agressiva.

Comunicação passiva, no contexto da assertividade, é aquela comunicação que não expõe seus pontos de vista e que se omite e se retrai diante de objeções acumulando emoções negativas dentro de si em relação à si ou aos demais. Já a comunicação agressiva é aquela que desconsidera a sensibilidade do outro ao emitir a mensagem ou de forma clara tem o objetivo de infringir dor em quem está ouvindo como forma de dissipar emoções negativas de dentro de si. Ou seja, ambas comunicação passiva ou agressiva envolvem emoções negativas, seja pela troca destas emoções ou pelo acúmulo delas.

Já a assertividade é a comunicação clara dos próprios pontos de vista, sem omissões ou retrações diante de objeções, porém sem o acúmulo ou troca de emoções negativas. Operando assim, com base em emoções positivas ou neutras, aliviando o tom da conversa e permitindo chegar aos resultados esperados.


5 Técnicas poderosas para desenvolver a assertividade na comunicação

Agora que falamos um pouco tanto sobre comunicação quanto sobre assertividade, vamos à algumas técnicas poderosas para desenvolver a assertividade na comunicação, especialmente em situações tensas como feedbacks e reuniões que envolvam negociações (com superior, clientes, subordinados ou mesmo pares).

1. Pratique o hábito do autoconhecimento

Para isto, uma tática simples é treinar reconhecer os efeitos das emoções no próprio corpo para reconhecer suas emoções pelas sensações corporais, mesmo que não esteja no momento sentindo que está tendo aquela emoção. Entenda o que significa para você quando você sua ou quando suas mãos ficam geladas e respeite suas emoções. Todos nós somos 90% emoção, sendo assim ignorar este fato fará você operar com somente 10% da sua capacidade. Assim, use seu cérebro e seus 10% racionais para conseguir o que você, de verdade, emocionalmente deseja.

Após reconhecer a emoção se pergunte qual a origem dela, o que houve que te causou isso e crie uma espécie de inventário das suas emoções. Em situações tensas você precisará deste inventário para saber como reagir sem se deixar tomar pelas emoções e sabotar sua comunicação.

2. Treine a empatia

A empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro e entender o que ele sente ou pensa a respeito de um assunto, sob o ponto de vista do outro formado a partir da história, individualidade, experiências e aprendizado do outro.

Isto é importante para que você consiga entender as mensagens que receber no contexto em que foram emitidas e não sob as suas lentes ou o seu contexto, permitindo captar mais facilmente as mensagens reais que os demais emitem.

Uma tática simples para treinar a empatia é elogiar o outro (não suas coisas ou aquisições, mas suas características individuais), pois fará você prestar atenção nos aspectos positivos dos demais e te permitirá perceber as reações aos elogios e com isso perceber o que é importante ou não para o outro. Além do que manterá uma ponte de comunicação sempre aberta para momentos que assuntos importantes e tensos precisarem ser tratados.

3. Não critique, não condene e não se queixe

Quem já fez Dale Carnegie ou leu o seu livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, conhece esta regra muito bem. A quem ainda não conhece, recomendamos fortemente a leitura do livro para ser um líder melhor.

Enfim, críticas, condenações e queixas espalham emoções negativas e não trazem soluções aos problemas, além de afastar as pessoas para longe de si e criar barreiras à comunicação. Barreiras estas que se manifestarão como posturas defensivas tanto à feedbacks quanto à propostas de novas ideias ou negociações.

4. Planeje a comunicação

Antes de qualquer interação importante com alguém, planeje a sua comunicação, ou seja, entenda claramente as mensagens que deseja transmitir e quais os resultados que deseja alcançar, identificando quais emoções veem à tona durante este processo e tratando-as para que interfiram o mínimo durante a interação.

Entenda também o contexto do ou dos outros que participarão da interação usando a empatia e procure criar sua comunicação de acordo com o seu público, mesmo que isto signifique fazer algo diferente do que inicialmente você planejou. Lembre-se, pessoas diferentes tem necessidades diferentes, o que nos leva à nossa última técnica.

5. Aceite a sua sensibilidade e respeite a dos demais

Não estou dizendo aqui para você sair por aí sendo melodramático, ok? Isto não é sensibilidade, isto é drama. Sensibilidade é capacidade de se perceber emocionalmente e entender o que se passa dentro de si, reconhecendo sua humanidade, suas limitações e suas necessidades emocionais. O que também não precisa ser compartilhado por se tratar da sua essência e ser portanto, um assunto privado.

E, da mesma forma que faz consigo, respeite a sensibilidade ou o direito a ser sensível que os outros também têm, reconhecendo a humanidade do outro e suas limitações. Desta forma, a comunicação acontecerá de pessoa para pessoa em um mesmo nível, sem desconsiderações ou superioridades artificiais.


Não subestime o poder ou a simplicidade destas técnicas, pois as coisas mais simples são normalmente as mais difíceis de serem feitas pela necessidade de complicar que todos temos. Porém, lembre-se que num processo de comunicação todos os envolvidos são humanos no final das contas e que não precisa ser complicado, precisa ser efetivo.

Boa jornada!

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