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Como construir uma cultura voltada para a inovação e qual o seu papel como empreendedor e líder para isto?

Rafaela Campos
Escrito por Rafaela Campos em 4 de julho de 2020
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Todo empreendedor quer que sua empresa inove e cresça, com certeza isto é unanimidade.

O que quase nenhum empreendedor quer é pagar o preço necessário para transformar este sonho em desejo e por isto ainda parece algo inacessível e exclusivo de uns poucos “sortudos”.

Para desmistificar isto e te ajudar a colocar ações em prática, antes de responder diretamente a pergunta-chave deste conteúdo, vamos entender rapidamente alguns elementos (sub-culturas) presentes em uma cultura de inovação:

Cultura da empatia

Empatia é a capacidade de se conectar humanamente com outras pessoas em um nível mais profundo do que as palavras, entendendo suas necessidades e conseguindo se colocar no lugar do outro. A empatia leva uma pessoa a se mover genuinamente em direção à necessidade do outro para resolvê-la e isso é a essência de negócios bem-sucedidos, pois a cultura da empatia direcionada para o cliente (o foco no foco do cliente) permite enxergar necessidades subjacentes e ainda não manifestas em palavras. Em outras palavras, permite “ler o cliente” e atender necessidades que ele nem sabia que tinha.

Ainda, a empatia não é uma habilidade com botão de on-off, que se liga e desliga quando quer. Sendo assim, é muito improvável acontecer somente em relação ao cliente, isto significa que ela também se manifestará na gestão das pessoas de dentro da empresa. Sendo assim, trabalho em equipe, maior autonomia, maior flexibilidade, valorização das pessoas e preocupação com seu bem-estar também estarão presentes.

E, conforme vários casos já provaram, empresas com pessoas felizes – aquelas que investem em ser um ótimo local para se trabalhar – crescem mais que as outras e de forma mais estável e segura.

Por último, a empatia permite que as pessoas criem laços mais fortes entre si que se transformam em confiança, que é um valor-chave para a agilidade.

Cultura da economia

Não estamos falando aqui em economia como uma seção de um jornal ou portal de notícias e sim, como o hábito de ser econômico, o hábito de fazer mais com menos ou até sem nada. Ou seja, estamos falando de restrições financeiras.

As pessoas que estão em um negócio que se proponha a ganhar dinheiro, precisam aprender a “fazer dinheiro” e, para isto somente um contexto de restrição para liberar o potencial criativo para resolver o problema, pois como já diz o ditado popular: “A necessidade é a mãe da invenção”.

Deixando claro que restrição não é sinônimo de mesquinhez ou avareza e sim de uso racional e contido de recursos especialmente financeiros, por isto, o hábito da economia.

O hábito da economia junto com a empatia ajudará a despertar o potencial estratégico, muitas vezes adormecido ou sub-utilizado das pessoas que estão se movendo para resolver um problema de um público.

Cultura da estratégia

Ser estratégico significa escolher com inteligência quais batalhas lutar, e para isto tantoo é necessário conhecer a si mesmo (negócio em que você está) muito bem, assim como o inimigo (concorrente), pois como já disse Sun Tzu, 5000 anos antes de Cristo em um contexto militar, berço da administração:

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas”

Na prática, isto significa a cultura da gestão estratégica, do autoconhecimento (nível empresarial) e cultura orientada a dados (cultura data-driven), tirando as decisões baseadas em intuições ou sentimentos e trazendo fatos para embasar as decisões.

Cultura da agilidade

Conectada e baseada nos elementos da empatia, da economia e da estratégia, a cultura da agilidade fornece diversas ferramentas e formas de gerir os processos, agilizando as entregas que permitem ao negócio ter velocidade para mudanças e adaptações durante o caminho, gerando melhoria contínua.

É importante esclarecer que agilidade não necessariamente tem a ver com rapidez e sim com adaptabilidade e com redução dos custos da mudança e da incerteza. Isto, ao final gera rapidez também, mas o foco é a adaptação às mudanças.

Metodologias de gestão famosas como Lean e Kanban, vindas da indústria automobilistica, assim como Scrum e OKR, vindas de tecnologia da informação são alguns exemplos mais conhecidos de metodologias ágeis.

O manifesto ágil trata de princípios sobre agilidade e apesar de desenvolvido para o contexto de desenvolvimento de software, pode ser adaptado para outros modelos de negócio seguindo os mesmos principios, que podem ser encontrados no link https://www.manifestoagil.com.br/principios.html

Cultura da comunicação

Ferramenta essencial para os relacionamentos humanos, muitas vezes é negligenciada no contexto de negócios e entendida de forma equivocada – somente como um instrumento de marketing – e por isto mal aplicada.

A comunicação é a principal forma de promover o alinhamento entre as pessoas e é composta por 2 partes básicas: a escuta autêntica e a fala. Sendo que, numa analogia simples ao corpo humano: “A gente tem 2 ouvidos e uma boca que é pra ouvir mais do que fala”, como também diz outro ditado.

E, negócios por mais frios que pareçam ser são entidades sociais, por serem compostos e realizados por pessoas e para pessoas e, desta forma a cultura da comunicação, tanto interna (com sócios, colaboradores, funcionários) quanto externa (com clientes, fornecedores, parceiros, mercado, apoiadores e outros) é imprescindível para garantir o alinhamento entre todas as partes e promover a empatia e a sinergia entre elas.

É também importante para o desenvolvimento de estratégias, conquista de clientes, expansão de mercado, mas fundamentalmente é necessária para engajamento de pessoas e construção de times coesos que tenham condições de construir e executar estratégias com maiores chances de sucesso.

Cultura de prosperidade

Também relacionada à empatia, a cultura de prosperidade está ligada à visão de geração de prosperidade para si e para outros através dos negócios. Ou seja, é um comportamento de buscar gerar prosperidade para todos os envolvidos incentivando relações de trocas mutuamente benéficas e justas.

A palavra justas aqui faz a diferença pois cria as relações de confiança necessárias para a sustentabilidade do negócio. A cultura da prosperidade expande a extensão dos negócios, saindo dos limites da empresa, e muda a relação das pessoas com o trabalho, deixando este de ser um fardo e passando a ser visto como uma forma de autorrealização e contribuição efetiva com a sociedade.

Muito associada ao conhecido propósito transformador massivo adotado por empresas que buscam crescimentos exponenciais, a cultura da prosperidade pode ocorrer mesmo sem um propósito tão estrategicamente escolhido quando a contribuição, a cooperação e o hábito de entregar mais do que o esperado é incentivado.

Cultura da experimentação

Podendo ser entendida como parte da cultura de agilidade, pensamos que este elemento merece um item específico pela seguinte resistência emocional que dificulta sua implementação: medo de errar.

Medo de errar este que pode estar ligado ao medo de críticas, ao medo do fracasso, ao medo da perda, da vergonha ou à tantos outros, porém que dificulta a implementação de inovações porque não existem garantias de sucesso ao se fazer o que nunca se fez.

E, a cultura da experimentação vem trabalhar justamente esses medos através da mudança de mindset (modelo mental) para um mindset de crescimento e processos de gestão da inovação. Assim a visão, o planejamento e execução de inovações são encarados como experimentos, hipóteses ou testes, dentro de limites de segurança previamente estabelecidos, que serão validados.

Havendo validação positiva, o experimento passa para a próxima validação, não havendo se encerra com comunicação adequada a todos e evitando que haja a impressão de que a empresa inicia muitos projetos e não tem continuidade, por ficar claro, visível e entendível a todos a cultura da experimentação.

E, qual o papel do empreendedor, como líder nisto tudo?

E, por fim, o papel – nada fácil, mas também não impossível – do líder para construir uma cultura de inovação, pode ser chamado de “provedor do ambiente” e pode ser dividido em alguns itens, como:

  1. promover o surgimento e aprimoramento dos elementos presentes na cultura da inovação com processos de gestão internos que assegurem sua continuidade
  2. “puxar a fila da cultura”, sendo exemplo
  3. utilizar um ou mais dos 4 estilos de liderança chamados de ressonantes: visionário, coach, democrático ou afiliativo, desenvolvendo uma comunicação empática com os demais e engajando as pessoas
  4. investir no desenvolvimento da própria inteligência emocional, melhorando essas habilidades e aumentando as habilidades de liderança
  5. investir no desenvolvimento das próprias habilidades de execução e gestão
  6. formar novos líderes para multiplicar a cultura
  7. ter paciência e ritmo, entendendo que a inovação, assim como a liderança é uma jornada a ser percorrida de forma disciplinada e constante, pois todos tem seu tempo de amadurecimento e que acelerar muito o processo pode gerar mais prejuízos do que vantagens


Boa jornada!

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